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18 de Outubro de 2017

Sobre a necessária mudança no modelo educacional

Juracy Cruz Jr, Advogado
Publicado por Juracy Cruz Jr
há 4 meses

Tem uma ideia que vem "martelando" em minha mente há muito tempo. Talvez não seja nenhuma novidade, porém nunca ouvi nada parecido, senão vejamos.

O ciclo da educação, para a maioria das pessoas, se encerra com o término do ensino médio e um curso profissionalizante ou ensino superior, sem qualquer pós-graduação. Digo isso considerando que quem não tenha concluído tais cursos, também não tenha encerrado o seu ciclo educacional.

Via de regra, tais ciclos iniciam na pré-escola aos 5 anos de idade e levam em média 20 anos para sua conclusão.

Caso houvesse hoje uma "metamorfose" no ensino público que modificasse todos os níveis de ensino, teríamos uma infinidade de pessoas no meio do caminho incapacitadas a tais mudanças, pois não tiveram base necessária para o acompanhamento, o que determinaria uma certa "parcimônia" nestas modificações nos níveis intermediários, porém não nos níveis iniciais.

O que imagino, numa proposta de uma mudança no sistema de educação que vise o privilégio de uma nação futura, seria um estanque onde as crianças que estão hoje iniciando sua vida educacional, tivessem um novo ambiente, completamente isolado do atual, com regras e condições totalmente voltadas ao sucesso desse novo modelo.

No ano seguinte, se formaria novas classes para os novos alunos, dando continuidade àqueles que iniciaram antes e assim sucessivamente, acrescentando-se novas classes até completado o último ciclo básico (ensino médio), tal e qual fazem aquelas "escolinhas de pré-escola" que resolvem ampliar a sua atividade ao ensino fundamental e depois o ensino médio.

Nesse modelo estariam envolvidas equipes multidisciplinares, com pedagogos, nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros, acompanhando e oferecendo o quê de importante para o bom desenvolvimento do aluno, respeitando as suas qualidades (não limitações, mas sim qualidades), de forma a bem direciona-lo ao encontro de suas afinidades, facilitando assim as suas escolhas.

Acho que a grande dificuldade em investimentos na educação em nosso país provém de duas culturas politiqueiras, quais o sucesso de tal empreendimento poderia modificar. Uma, a de concentrar investimentos apenas naquilo que seja visível após o término de período de mandato que em geral, é de 4 a 8 anos e o resultado de um modelo educacional demora cerca de 20 anos para ser, quem sabe (?), percebido. E a outra, de que o eleitor sem a correta educação, é melhor manipulável.

Então, paralelamente a essa ideia, a fim de dar um start, pensei também em projetos para comunidades carentes, oferecendo esse modelo, porém, iniciando antes, com o acompanhamento médico e nutricional da criança a partir da primeira infância, vez que está cientificamente comprovado que uma alimentação de boa qualidade e cuidados esoeciais com a saúde nessa fase é que fará a maior diferença no desenvolvimento cerebral e, portanto, educacional do indivíduo.

Nestes projetos, em minha ideia, pensei na reunião de bons profissionais selecionados, reunidos através de alguma ONG em que tais profissionais participariam com poder para decisões colegiadas, e com financiamento por empresas, provavelmente as locais, e por grandes instituições, como Fundação Ayrton Senna, Fundação Bradesco/Itaú/... (?), Unicef, entre outras.

O sucesso do empreendimento determinaria então a sua multiplicação até a adesão estatal e, me reportando ao texto do Prof. Paes de Barros, publicado recentemente na Folha, acredito que algo assim pudesse ser uma possibilidade à quebra do paradigma da reprodução de desigualdade.

Também achei excelente o investimento feito pelo governo federal na expansão do ensino superior, porém entendo que o melhor resultado se obterá quando os esforços se concentrarem na base. Como meu pai sempre diz, "não dá pra começar a construir uma casa pelo telhado".

Penso que daí vem o grande desafio, o de se implementar algo que realmente venha a socorrer a nação que deixaremos para nossas futuras gerações.


http://m.folha.uol.com.br/educacao/2017/06/1890879-escola-no-brasil-reproduz-loucamenteadesigualda...

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